Blog de AE

   No dia 2 de abril, o regional NE B2 (JUFRA Sergipe) realizou a sua primeira escola de formação em AE, por ocasião do Ano Santo Mariano que estamos vivendo em toda Igreja do Brasil. 
   Diante disso e também em preparação para o nosso Retiro Espiritual Mariano, reunimos os Secretários (as) de Formação e secretários (as) de Ação Evangelizadora, para um melhor conhecimento sobre a Virgem Maria a partir das Sagradas Escrituras que desde o Antigo Testamento está repleto de figuras, imagens e profecias nas quais tanto o Magistério como os Padres da Igreja, os seus Doutores e Santos reconheceram o anúncio daquela que deu ao mundo o Messias esperado. Do “Gênesis” ao Livro do Profeta Isaías, e até aos últimos profetas da Primeira Aliança, prefigurações e outros anúncios, respeitantes à Virgem Mãe do Salvador. Além de um momento de formação, foi também um encontro celebrativo, onde aprendemos a rezar com o silêncio de Nossa Senhora, a meditar a poderosa oração da Ave-Maria, tendo assim Maria como nosso modelo de oração e nossa intercessora


Denilson Jesus dos Santos
Secretário Regional de Ação Evangelizadora
Regional NE B2
JUFRA Sergipe
A Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou, nesta quinta-feira, dia 23 de março, uma nota sobre a Reforma da Previdência. No texto, aprovado pelo Conselho Permanente da entidade, os bispos elencam alguns pontos da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287/2016, considerando que a mesma “escolhe o caminho da exclusão social” e convocam os cristãos e pessoas de boa vontade “a se mobilizarem para buscar o melhor para o povo brasileiro, principalmente os mais fragilizados”.
Em entrevista coletiva à imprensa, também foram apresentadas outras duas notas. Uma sobre o foro privilegiado e outra em defesa da isenção das instituições filantrópicas. Na ocasião, a Presidência da CNBB falou das atividades e temas de discussão durante a reunião do Conselho Permanente, que teve início na terça-feira, dia 21 e terminou no fim da manhã desta quinta, 23.
Apreensão
Na nota sobre a PEC 287, a CNBB manifesta apreensão com relação ao projeto do Poder Executivo em tramitação no Congresso Nacional. “A previdência não é uma concessão governamental ou um privilégio. Os direitos Sociais no Brasil foram conquistados com intensa participação democrática; qualquer ameaça a eles merece imediato repúdio”, salientam os bispos.
O Governo Federal argumenta que há um déficit previdenciário, justificativa questionada por entidades, parlamentares e até contestadas levando em consideração informações divulgadas por outros governamentais. Neste sentido, os bispos afirmam não ser possível “encaminhar solução de assunto tão complexo com informações inseguras, desencontradas e contraditórias”. 
A entidade valorizou iniciativas que visam conhecer a real situação do sistema previdenciário brasileiro com envolvimento da sociedade.
Leia na íntegra:

NOTA DA CNBB SOBRE A PEC 287/16 – “REFORMA DA PREVIDÊNCIA”


“Ai dos que fazem do direito uma amargura e a justiça jogam no chão”
 (Amós 5,7)

O Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, reunido em Brasília-DF, dos dias 21 a 23 de março de 2017, em comunhão e solidariedade pastoral com o povo brasileiro, manifesta apreensão com relação à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287/2016, de iniciativa do Poder Executivo, que tramita no Congresso Nacional.
O Art. 6º. da Constituição Federal de 1988 estabeleceu que a Previdência seja um Direito Social dos brasileiros e brasileiras. Não é uma concessão governamental ou um privilégio. Os Direitos Sociais no Brasil foram conquistados com intensa participação democrática; qualquer ameaça a eles merece imediato repúdio.
Abrangendo atualmente mais de 2/3 da população economicamente ativa, diante de um aumento da sua faixa etária e da diminuição do ingresso no mercado de trabalho, pode-se dizer que o sistema da Previdência precisa ser avaliado e, se necessário, posteriormente adequado à Seguridade Social.
Os números do Governo Federal que apresentam um déficit previdenciário são diversos dos números apresentados por outras instituições, inclusive ligadas ao próprio governo. Não é possível encaminhar solução de assunto tão complexo com informações inseguras, desencontradas e contraditórias. É preciso conhecer a real situação da Previdência Social no Brasil. Iniciativas que visem ao conhecimento dessa realidade devem ser valorizadas e adotadas, particularmente pelo Congresso Nacional, com o total envolvimento da sociedade.
O sistema da Previdência Social possui uma intrínseca matriz ética. Ele é criado para a proteção social de pessoas que, por vários motivos, ficam expostas à vulnerabilidade social (idade, enfermidades, acidentes, maternidade...), particularmente as mais pobres. Nenhuma solução para equilibrar um possível déficit pode prescindir de valores éticos-sociais e solidários. Na justificativa da PEC 287/2016 não existe nenhuma referência a esses valores, reduzindo a Previdência a uma questão econômica.
Buscando diminuir gastos previdenciários, a PEC 287/2016 “soluciona o problema”, excluindo da proteção social os que têm direito a benefícios. Ao propor uma idade única de 65 anos para homens e mulheres, do campo ou da cidade; ao acabar com a aposentadoria especial para trabalhadores rurais; ao comprometer a assistência aos segurados especiais (indígenas, quilombolas, pescadores...); ao reduzir o valor da pensão para viúvas ou viúvos; ao desvincular o salário mínimo como referência para o pagamento do Benefício de Prestação Continuada (BPC), a PEC 287/2016 escolhe o caminho da exclusão social.
A opção inclusiva que preserva direitos não é considerada na PEC. Faz-se necessário auditar a dívida pública, taxar rendimentos das instituições financeiras, rever a desoneração de exportação de commodities, identificar e cobrar os devedores da Previdência. Essas opções ajudariam a tornar realidade o Fundo de Reserva do Regime da Previdência Social – Emenda Constitucional 20/1998, que poderia provisionar recursos exclusivos para a Previdência.
O debate sobre a Previdência não pode ficar restrito a uma disputa ideológico-partidária, sujeito a influências de grupos dos mais diversos interesses. Quando isso acontece, quem perde sempre é a verdade. O diálogo sincero e fundamentado entre governo e sociedade deve ser buscado até à exaustão.   
Às senhoras e aos senhores parlamentares, fazemos nossas as palavras do Papa Francisco: “A vossa difícil tarefa é contribuir a fim de que não faltem as subvenções indispensáveis para a subsistência dos trabalhadores desempregados e das suas famílias. Não falte entre as vossas prioridades uma atenção privilegiada para com o trabalho feminino, assim como a assistência à maternidade que sempre deve tutelar a vida que nasce e quem a serve quotidianamente. Tutelai as mulheres, o trabalho das mulheres! Nunca falte a garantia para a velhice, a enfermidade, os acidentes relacionados com o trabalho. Não falte o direito à aposentadoria, e sublinho: o direito — a aposentadoria é um direito! — porque disto é que se trata.” 
Convocamos os cristãos e pessoas de boa vontade, particularmente nossas comunidades, a se mobilizarem ao redor da atual Reforma da Previdência, a fim de buscar o melhor para o nosso povo, principalmente os mais fragilizados.
Na celebração do Ano Mariano Nacional, confiamos o povo brasileiro à intercessão de Nossa Senhora Aparecida. Deus nos abençoe!

Brasília, 23 de março de 2017.

Cardeal Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília
Presidente da CNBB

Dom Murilo S. R. Krieger, SCJ
Arcebispo de São Salvador da Bahia
Vice-Presidente da CNBB


Dom Leonardo Ulrich Steiner, OFM
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário-Geral da CNBB

Fonte: CNBB

"Louvado sejas, meu Senhor, Pela irmã Água,
Que é mui útil e humilde E preciosa e casta."

Hoje, Dia Mundial da Água, somos convidados a refletir sobre o que ela significa e as ameaças que pesam sobre esse bem tão vital.  Sendo extremamente abundante e simultaneamente extremamente escassa, afinal, a água é fonte de vida ou fonte de lucro?

Por Papa Francisco, Carta Encíclica Laudato Si’:


27. Outros indicadores da situação atual têm a ver com o esgotamento dos recursos naturais. É bem conhecida a impossibilidade de sustentar o nível atual de consumo dos países mais desenvolvidos e dos setores mais ricos da sociedade, onde o hábito de desperdiçar e jogar fora atinge níveis inauditos. Já se ultrapassaram certos limites máximos de exploração do planeta, sem termos resolvido o problema da pobreza.

28. A água potável e limpa constitui uma questão de primordial importância, porque é indispensável para a vida humana e para sustentar os ecossistemas terrestres e aquáticos. As fontes de água doce fornecem os setores sanitários, agropecuários e industriais. A disponibilidade de água manteve-se relativamente constante durante muito tempo, mas agora, em muitos lugares, a procura excede a oferta sustentável, com graves consequências a curto e longo prazo. Grandes cidades, que dependem de importantes reservas hídricas, sofrem períodos de carência do recurso, que, nos momentos críticos, nem sempre se administra com uma gestão adequada e com imparcialidade. A pobreza da água pública verifica-se especialmente na África, onde grandes setores da população não têm acesso a água potável segura, ou sofrem secas que tornam difícil a produção de alimento. Nalguns países, há regiões com abundância de água, enquanto outras sofrem de grave escassez.

29. Um problema particularmente sério é o da qualidade da água disponível para os pobres, que diariamente ceifa muitas vidas. Entre os pobres, são frequentes as doenças relacionadas com a água, incluindo as causadas por microrganismos e substâncias químicas. A diarreia e a cólera, devidas a serviços de higiene e reservas de água inadequados, constituem um fator significativo de sofrimento e mortalidade infantil. Em muitos lugares, os lençóis freáticos estão ameaçados pela poluição produzida por algumas atividades extrativas, agrícolas e industriais, sobretudo em países desprovidos de regulamentação e controles suficientes. Não pensamos apenas nas descargas provenientes das fábricas; os detergentes e produtos químicos que a população utiliza em muitas partes do mundo continuam a ser derramados em rios, lagos e mares.

30. Enquanto a qualidade da água disponível piora constantemente, em alguns lugares cresce a tendência para se privatizar este recurso escasso, tornando-se uma mercadoria sujeita às leis do mercado. Na realidade, o acesso à água potável e segura é um direito humano essencial, fundamental e universal, porque determina a sobrevivência das pessoas e, portanto, é condição para o exercício dos outros direitos humanos. Este mundo tem uma grave dívida social para com os pobres que não têm acesso à água potável, porque isto é negar-lhes o direito à vida radicado na sua dignidade inalienável. Esta dívida é parcialmente saldada com maiores contribuições econômicas para prover de água limpa e saneamento as populações mais pobres. Entretanto nota-se um desperdício de água não só nos países desenvolvidos, mas também naqueles em vias de desenvolvimento que possuem grandes reservas. Isto mostra que o problema da água é, em parte, uma questão educativa e cultural, porque não há consciência da gravidade destes comportamentos num contexto de grande desigualdade.


31. Uma maior escassez de água provocará o aumento do custo dos alimentos e de vários produtos que dependem do seu uso. Alguns estudos assinalaram o risco de sofrer uma aguda escassez de água dentro de poucas décadas, se não forem tomadas medidas urgentes. Os impactos ambientais poderiam afetar milhares de milhões de pessoas, sendo previsível que o controle da água por grandes empresas mundiais se transforme numa das principais fontes de conflitos deste século.[23]

Estamos iniciando nas comunidades os processos de estudo, de debate e de conscientização do Povo de Deus, sobre as questões ecológicas a partir dos seis Biomas Brasileiros. A Amazônia, a Caatinga, o Cerrado, a Mata Atlântica, o Pampa e o Pantanal. Estamos com a Campanha da Fraternidade de 2017 na Rua! Está muito bonito de se ver a alegria, a curiosidade e a procura por material, por informação e por formação este ano. Nosso tema é uma continuidade do tema do ano passado quando refletimos sobre o cuidado de nossa casa comum, com ênfase no Saneamento Básico. Na verdade, com ênfase na falta de Saneamento Básico. Este ano de 2017, portanto, com o tema, “FRATERNIDADE: Biomas Brasileiros e Defesa da Vida” e com o lema: “Cultivar a Guardar a Criação (Gênesis 2,15)”, a Igreja e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB -, nos convidam no Objetivo Geral da CF2017 a, “Cuidar da criação, de modo especial dos biomas brasileiros, dons de Deus, e promover relações fraternas com a vida e a cultura dos povos, à luz do Evangelho”. É, portanto, um convite ao reencantamento que necessita de uma conversão ecológica.

Desde 1964, há mais de cinquenta anos, portanto, a Igreja mantém esta ação profética, sempre abordando de forma contundente, um tema importante para a defesa da vida e do planeta. Sempre denunciando uma situação que põe em risco a vida. E anunciando, como Igreja seguidora de Jesus, o compromisso de despertar o povo de Deus para lutar pela transformação da realidade denunciada. Assim são muitas as experiências já vivenciadas pela Igreja, com os temas de outras Campanhas relacionados ao tema deste ano. Já em 1979, pregávamos, “Por um mundo mais humano” e o lema, “Preserve o que é de todos”; em 1986, “ Fraternidade e a terra” e o lema: “Terra de Deus, terra de irmãos”; em 2004, “Fraternidade e água” e o lema: “Água fonte de vida”; no ano de 2007, “Fraternidade e Amazônia” e o lema: “Vida e missão nesse chão”; em 2011, “Fraternidade e a vida no planeta” com o lema: “A criação geme em dores de parto (Romanos 8,22)” e no ano passado, 2016, Casa Comum, nossa responsabilidade” e o lema: “ Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca (Amós 5,24)”. É uma memória importante para mostrar que a Igreja vem incomodada e incomodando com o desrespeito contra a criação e contra a vida há muito tempo.   
 Celebremos com o teólogo João Batista Libânio, que soube captar com sutileza as maravilhas de Deus vistas pelo salmista. Assim nos diz ele, “Os Salmos captaram melhor tal significado. Todo o Salmo 136 (135) canta as maravilhas de Deus porque Ele é bom, a começar pela criação” (LIBANIO, 2010, p 12). Seguindo o exemplo de Libanio e do salmista reconheçamos também nós a sabedoria e a bondade de Deus e digamos juntos no grupo de oração, na pastoral, na sala de catequese, na reunião de Ministros e no retiro dos Diáconos, ou em casa em família. Ele criou a Amazônia. Porque eterno é o seu amor! Ele criou a Caatinga. Porque eterno é o seu amor! Ele criou o Cerrado. Porque eterno é o seu amor! Ele criou a Mata Atlântica. Porque eterno é o seu amor! Ele criou o Pampa. Porque eterno é o seu amor! Ele criou o Pantanal. Porque eterno é o seu amor! Antes, porém, leiamos alternadamente todo o Salmo 135. Façamos uma Leitura Orante e deixemo-nos ser motivados pela mensagem. Depois, o grupo pode definir ações concretas que vai assumir como Igreja para seguir a Campanha da Fraternidade deste ano. O que nós fazemos que não deveremos fazer mais para vivermos a CF2017? O que nós não fazemos e que deveremos começar a fazer para vivermos a conversão ecológica que nos pede a Igreja? Como diz o Poeta das CEBs, Zé Vicente, “Defender o direito, respeitar a justiça. Promover a vida eis a nossa missão neste chão” (Samba Social). Tudo isso vale também com relação ao planeta e aos seus biomas.

O texto bíblico que inspira a CF2017 é o relato da criação que se encontra logo no início da Bíblia. (Gênesis 1, 1 – 2,4a). A teologia também nos vem do testemunho e do anúncio do Papa Francisco, com a Carta Encíclica Laudato SI’ (Louvado sejas, meu Senhor). E com ela a mística e a espiritualidade ecológica do irmão São Francisco de Assis. Isto já nos seria suficiente para uma defesa vigorosa do tema da CF2017, a partir da fé cristã, mas o Libanio, já citado acima, nos traz a cosmologia de Teilhard de Chadin, ao nos dizer, “O núcleo do seu pensamento se expressa na ideia de um mundo em gênese, de uma matéria universal penetrada, animada e justificada em Cristo (...). Tudo foi criado por meio dele e para ele, e nele todas as coisas têm consistência (cf. C1, 15-17)” (LIBANIO, 2010, p 53). Esta é uma boa ocasião para atualizar o próprio texto do livro do gênesis. A carta de São Paulo aos colossenses, aos moradores de Colossas, é uma das quatro cartas do cativeiro e esta citação acima nos mostra como a criação é Cristocêntrica. Este é um texto que pode ser lido, meditado e que pode nos trazer perguntas novas. Dado que, por exemplo, restam-nos apenas 8,5% (oito e meio por cento) do que era o Bioma Mata Atlântica, quando chegaram aqui os colonizadores. 

A exemplo do que fizeram com Jesus, com Dom Oscar Romero, com Chico Mendes, com o Padre Josimo e com a Irmã Dorothy Stang, nós não estamos matando o planeta e destruindo os seus biomas? Nós não estamos crucificando a terra, ou permitindo que ela seja torturada como fizeram com o Frei Tito e muitos e muitas irmãos e irmãs na ditadura militar? Nós não a estamos crucificando, como fizeram com Jesus de Nazaré? O Cerrado, bioma que armazena e distribui as águas para o nosso país inteiro, está não mãos de um Herodes que assina como MATOPIBA. Um projeto de destruição da natureza, que escraviza a terra e a faz produzir de acordo com a ganância do agronegócio, exportador de grãos para alimentar animais em outros países. A Mata Atlântica vive as consequências e os impactos da urbanização, pois acolhe as maiores metrópoles do país, sofrendo os maus tratos frutos do descaso dos governantes, sobretudo com o Saneamento Básico. 

A Caatinga o único Bioma exclusivamente brasileiro, sofre os preconceitos e estigmas muitas vezes fruto da ignorância (desconhecimento) de quem a explora ou de quem não a conhece mesmo. A Amazônia e o Pantanal estão vendo as suas populações originárias serem exterminadas. O turismo e a pesca que desenvolveu o turismo ecológico, traz recursos financeiros, os faz conhecidos, mas deixa também rastros de destruição. Falta ainda uma compreensão dos Biomas como vidas que pedem e devem receber cuidados.  O Bioma Pampa, que no Brasil só existe no Rio Grande do Sul, também teve suas populações indígenas, sobretudo Tupi-Guarani praticamente exterminadas. Hoje restam poucos descendentes destes povos e vivem em situações precarizadas. A progressiva introdução da monocultura causou uma degradação e descaracterização das paisagens originárias, a ponto de hoje restar pouco mais que 30% (trinta por cento) da vegetação nativa do Pampa.  

Vamos concluindo esta reflexão, mas deixamos o espaço aberto para aprofundá-la em outros momentos, em outros textos ou de outras formas. Sobretudo, é necessário que deixemos o espaço para que o Espírito de Deus aja. E fica o desafio a cada um e cada uma de nós que não nos conformemos com os nossos limites. A Igreja busca permanentemente enfrentar e superar os desafios que nos distanciam da vontade de Deus. Acredita nos homens e nas mulheres, na sua capacidade de amar e na sua inteligência amorosa para ouvir o que Deus lhes pede. Cultivar e Guardar a criação. Muito embora o Frei Betto nos alerte de algo que não poderemos esquecer, “Não há leis ou cálculo que prevejam o que fará um ser humano, ainda que seja um escravo. Lá no núcleo central de nossa liberdade – a consciência – ninguém pode penetrar” BETTO, 199(7, p 96). Que possamos resgatar a nossa filiação divina, refazer a aliança com Deus, rompida mais uma vez por nós, e nos reencantarmos com tanta beleza, com tanta diversidade de vida e que Deus nos pede apenas isso. Que cuidemos. 

Para aprofundar.
BETTO, Frei. A Obra do Artista – uma visão holística do Universo. São Paulo: Ática, 3ª edição 1997.
BÍBLIA. Bíblia Sagrada Nova Pastoral. São Paulo: Paulus, 2014. - CNBB. Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Texto Base da Campanha da Fraternidade de 2017. Brasília-DF: edições CNBB, 2016.
LIBANIO, João Batista. Ecologia vida ou morte?  São Paulo: Paulus, 2010.
PAPA. Papa Francisco. Carta Encíclica Laudato SI’ (Louvado sejas, meu Senhor) sobre o cuidado da Casa Comum. Brasília-DF: edições CNBB, 2015. 

Curitiba, 26 de Fevereiro de 2017. João Ferreira Santiago Teólogo, Poeta e Militante.- assessor das CEBs Regional Sul 2 Coordenador da Campanha Fraternidade de 2017 na Arquidiocese de Curitiba.

Texto extraído integralmente do site: www.cebsdobrasil.com.br em 01 de março de 2017 as 12:27. 

Silêncio! Como a sociedade atual necessita de silêncio! Somos todos bombardeados por estímulos de todo gênero, que nos atingem os ouvidos, a vista, o olfato, o paladar, o tato, enfim, todos os nossos sentidos. Esses ruídos penetram o nosso ser, o enchem à saturação, não deixando muitas vezes, espaço para as coisas boas da vida, para Deus nem para nós mesmos. Caímos na superficialidade, na exterioridade, na solidão. Eis o som do rádio, da televisão, do telefone, da internet; o ruído dos carros, das buzinas, dos tiros, dos foguetes. São as imagens de todo tipo com suas mensagens. As ofertas ao paladar, os perfumes de todo tipo, os objetos de prazer imediato. Não nos é dado tempo para escolher o que nos convém, para assimilar as coisas. Tornamo-nos todos saturados. O homem moderno tem medo do silêncio, foge dele, porque foge de si mesmo. Sente dificuldade de confrontar-se consigo mesmo, com a natureza, com o próximo e com Deus.

Daí a necessidade do jejum, ou seja, de abster-se de tantos estímulos que nos atingem a cada hora do dia e mesmo da noite. As pessoas têm necessidade de jejuar do som, das imagens, dos aromas, do paladar, do tato. O silêncio constitui uma forma de jejum. Trata-se de criar espaço em nós mesmos para acolher o que convém. Fazer silêncio é entrar em nós mesmos, fazer espaço para o bem, para o amor ao próximo e o amor a Deus.

Tal silêncio que nos leva a acolher o mistério, a fazê-lo nidificar em nós e repercuti-lo na ressonância do nosso ser interior, o silêncio que nos leva a jejuar das palavras vãs para acolher a Palavra e deixá-la tomar forma em nós, a exemplo de Maria, a serva da Palavra, é indispensável também na celebração da Sagrada Liturgia. Acontece que muitas de nossas assembleias estão se transformando em verdadeiras plateias de show, de espetáculo.

Nossas celebrações são por demais barulhentas, cheias de ruídos tanto acústicos como visuais. Há muito palavrório, muita conversa, muita distração, que acabam abafando a oração. Infelizmente, após o Concílio, não se entendeu corretamente o sentido da participação ativa na Liturgia. O Concílio pede uma participação eficaz ou frutuosa. Para que seja frutuosa é preciso que seja consciente, ativa e plena. Mas se pensou quase só na participação ativa e ainda mal entendida. Identificou-se o ativo com o verbal, com palavras. Por isso, o acento nos diálogos, nas aclamações e nos cantos. Ora, a participação ativa não se restringe às palavras. Participamos ouvindo, vendo, cheirando, degustando; participamos pelo tato, pela ação, pelos movimentos, bem como pelo silêncio.

Por isso, quando fala da participação ativa na Liturgia, o Concílio diz: “Para promover a participação ativa, trate-se de incentivar as aclamações do povo, as respostas, as salmodias, as antífonas e os cantos, bem como as ações e os gestos e o porte do corpo. A seu tempo, seja também guardado o sagrado silêncio” (SC 30). Não se trata de um silêncio morto, mas cheio. Trata-se de um silêncio sagrado, porque capaz de relacionar a pessoa com Deus.

Apresentam-se, portanto, vários modos de participar ativamente da Sagrada Liturgia: as aclamações do povo, as respostas, a salmodia, as antífonas e os cantos. Estes vão todos na linha do uso da palavra. Mas, temos as ações e os gestos e o porte do corpo que em geral são realizados ou acompanhados em silêncio. Finalmente, temos o próprio silêncio como momentos significativos e expressões de participação ativa. Temos, portanto, o silêncio que acompanha ações, gestos e posturas do corpo, o silêncio na escuta da palavra, como a Palavra de Deus e orações presidenciais e momentos de silêncio propriamente ditos.


Por: Frei Alberto Beckhäuser. OFM